Material de escrita
me falta muita coisa, mas não ideias.
Minha Terapeuta é a pessoa que atualmente mais me motiva a escrever e não é porque ela me passe exercícios de escrita, temas ou incentivo, é porque saio de toda sessão com mais material para essa escrita do que quando entrei.
Sabe aquele momento da sessão em que o profissional finalmente fala e te dá um minuto da sabedoria dele? pois é, a minha querida terapeuta faz desse momento algo ímpar: fala melodiosamente, toda carinhosa e depois emenda um “Então até semana que vem”.
Eu encerro a chamada e fico absorta nas muitas coisas tocadas em mim, tanto que geralmente abro o computador e escrevo alguma coisa. Porque se não vou passar o dia aérea, perdida nas sensações…vários textos que saíram desse momento pós terapia virarão as cartas que vocês recebem por aqui.
Sou pessoa que odeia ficar mexida preciso, com rapidez, dar uma narrativa para o caos emocional que fica.
E é que essa semana tive uma conversa meio estranha com uma pessoa curiosa sobre minha escrita: mas o que te segura pra não ter terminado ainda o livro? Mas e que outras formas teria de viver da escrita e só? Você sente um bloqueio porque falta material?
Essa última pergunta me fez rir e debochada como sou nem consegui disfarçar. Respondi que infelizmente me faltava muita disciplina. E aí paramos.
Mas te digo a real? falta disciplina, tempo de qualidade, descanso real do corpo, dinheiro, alguém pra dividir realmente (100%) das obrigações com as crianças, e claro: motivação.
Motivação (coisa que todos precisam na vida obviamente) é algo extremo para mim: ou me empolgo por algo mínimo ou fico desmotivada mesmo num cenário maravilhoso porque algo, algo que eu preciso muito não esta lá.
A terapia esses anos me ensinou a aceitar minha necessidade de fugir, desistir, também me aceitou a entender que forçar a barra quando não tenho motivação piora muito tudo: eu deprimo e novamente, ser extremo que sou, me deprimo a ponto de levar muitos anos para de novo sentir motivação.
Por tanto tenho respirado com calma: não me sinto motivada a voltar ao manuscrito do segundo livro, um livro de crônicas, só consigo por agora pensar no ensaio fotográfico que quero fazer em setembro e a partir do qual quero tecer reflexões sobre este meu corpo de alguém de 4 décadas, um corpo que gestou 4 vezes, pariu 5, um corpo que foi machucado, sarado e mesmo assim comporta muito prazer com a motivação certa.
E é exatamente por isso que o material que consigo escrever agora vem das sessões de terapias, dos dias devagar, dos respiros com meu cigarrinho…a adrenalina que me consome as vezes tá em baixa: casulo adentrado demoro para sair.
E eu te pergunto: você leria algo que não foi escrito por alguém que sentiu cada palavra, que escolheu com paixão como contar algo, que se dedicou com prazer, que esteve todos os dias ali motivada?
Eu espero que sua resposta seja não,
Espero que, como muitos leitores, você precise ser cativada pelo que consome.
Dito tudo isso: quero ainda um dia ser aquela pessoa que escreve disciplinadamente todos os dias e lança um livro por ano.
Porque né? um dia ainda quero viver só da minha escrita.
(e morar na chapada diamantina do lado de uma cachoeira, vender bolos feito por Lua nas feiras e viajar 1 vez por ano pra Tailândia!)
Sonhar pouco é pra quem é básico, eu sou radical.
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Estou me preparando para debutar como atração no Festival de Artes Integradas do Colégio CEPARD aqui da minha cidade.
Amo esse festival feito a anos pelos alunos do ensino médio, sob coordenação da professora de artes Renata. (pessoa que muito admiro)
Participo desde 2021, frequentei oficinas, vi shows, levei sempre as crianças para ver e sempre me encanto com o talento dos jovens. E agora recebi o convite para ministrar uma oficina de escrita criativa e também uma intervenção artística.
Para a oficina escolhi o tema “feitura de diários: escrita de si”como uma proposta de lembrar que escrever o cotidiano é um ato criativo e escrever do lugar de si mesmo pode ser poderoso (voltando ao início dessa carta).
Lembrei então de selecionar alguns livros escritos no formato diário, ou narrados em primeira pessoa e lembrei da história de Jane Welsh Carlyle.
Aprendi sobre essa escritora escocesa lendo o livro “Vidas Paralelas: 5 casamentos vitorianos”, onde Phillys Rose aborda 5 casamentos de grandes nomes intelectuais ingleses.
Jane era esposa de Thomas Carlyle, filósofo de muita influência. Os dois eram assexuais e casaram sobre a promessa de jamais terem relações íntimas, Cultivaram porém uma parceria intelectual que nutria Jane e a fazia sentir completamente sortuda.
Um dia porém Thomas se engraçou pro lado de outra mulher, também escritora e artista e manteve com a mesma uma amizade grudenta e sem envolvimento físico, e no entanto isso foi suficiente para deprimir Jane. Após sua morte a mesma ainda teve o diário pessoal, onde relata essa traição (assim ela sentiu), publicado por Thomas.
Felizmente algumas mulheres escritoras do âmbito deles também resolveram publicar cartas recebidas por ela e assim temos uma biografia melhor sobre a grande intelectual que esta mulher foi (e não somente a esposa de alguém).
Digo isso porque me peguei pensando em queimar meus diários de adolescência, minhas agendas, meus caderninhos de pensamentos: vai que sobra esse material todo sobre mim para alguém indesejado lucrar sobre.
MEDO REAL
Mas por outro lado: quantos diários que viraram livros não transformam vidas né?
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Meu nível de aleatoriedade chegou numa fase bem doida. Esta semana me peguei obcecada sobre o idol chinês HU Yetao e fui assistir ao programa de reality de idols que ele participou em 2025, o Chuang Ásia.
O programa tinha outro atrativo para mim: Jeff Satur era um dos mentores e juízes.
Só sei que achei uma loucura tudo aquilo: os bastidores dos meninos cansados dos treinamentos intensos, chorando de saudades da casa, fazendo amizades e pactos entre eles e Hu Yetao, um rapaz de visual andrógino e queer, tentando provar, a si mesmo primeiro, que pertencia a aquele espaço.
Jeff chega a dizer a ele isso: você pertence a esse palco!
Ainda bem que assisti sabendo que no final Hu Yetao consegue vencer e ser um dos 7 a formar uma banda e debutar porque ele passa por tanta coisa!
Me chamou a atenção os discursos pós ganhar algumas eliminações: “disseram que eu não podia participar de uma boy band por causa do meu visual, mas se eu tiver que escolher novamente, escolho todas as vezes me amar como sou”
No último discurso ele disse “Agradeço esse programa por ser o espaço seguro que eu precisava para ser eu mesmo porque lá fora eu ainda sou muito odiado”
Lembrei do meu adolescente que me contou que no ranking de países “amigos da comunidade queer” o Brasil estava no sétimo lugar, a Tailândia no nono e os Estados Unidos no primeiro. “Mãe porque será hein?”
Talvez porque realmente a gente saiba vender uma ideia mas não colocar em prática: contei tristemente que somos o número 1 em homicídios a pessoas LGBTQIA+.
Hu Yetao está indo muito bem mas não mora mais na China. Só o que sabemos por agora é de sua vida profissional, o sucesso exigiu a ele blindagem: há muitos que o amam, mas muitos que o enxergam como ameaça: imagina ele inflamar outros meninos a serem o que quiserem ser? Numa sociedade que escolhe bem os papéis que cada um deve fazer?
Antes de apontar o dedo pra Ásia lembrem que passamos o mesmo por aqui todos os dias: se paga com a vida a ousadia de ser você mesmo.
O mundo do entretenimento ainda é uma indústria e das mais bem sucedidas no capitalismo.
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Nessa loucura de assistir Chuang Ásia eu conheci a Naomi Wong, cantora chinesa, ex integrante de grupo idol.
De cara meu espanto com o corpo cheinho dela, a diferença da magreza extrema que me acostumei a ver nessas meninas do K pop e T pop.
E cantora fantástica! Além da voz, me chamou a atenção sua versatilidade: canta balada, pop, rap, música latina.
Este último vídeo é de uma baladinha chinesa com violino tradicional…muito lindo de ouvir.
Deixo as dicas, vai que vocês, como eu, gostem também.
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Ok amigues, por hoje é só.
Volto logo mais, beijos
Lila.








