Lila Report
amizades que moram a 11 horas de distância e afetos que estão sempre a me fazer um café.

Amigues tenho uma confissão a fazer: eu não deveria reclamar da vida.
Dito isso: vou continuar a reclamar!
Nasci mulher e o sistema não dá um respiro, mas eu, eu acho brechas.
Acaba que os dias passados meio desde o dia 23 pra cá foram numa intensidade de apagar incêndios que eu já tô meio querendo o buraco, covil, casulo do inverno onde me esconder.
CANSEI
Maio não foi pra fracas pessoas e junho promete ainda mais intensidade mas graças a Deusas é São João!
Sim, lembrem, uma sagitariana convicta aqui, amo uma festa, amo quadrilha, decoração, comidas, forró…
No entanto a realidade da violência masculina tóxica que atravessa nosso viver se manifestou no dia 31 com o rótulo de “tradição” e quase estragou minha vontade de São João. Fomos pegos de surpresa, eu, minha família e a vizinhança com um grupo de pessoas soltando fogos sem qualquer cuidado, fiscalização ou limite, bem aqui na rua, nas nossas calçadas, na nossa porta.
5 minutos antes de estourarem o vidro da janela do quarto de uma das minhas crianças eu tirei ela de lá e mandei dormir no meu. 5 minutos.
A raiva preencheu meu final de semana, minha segunda feira foi amarga ao pensar na impotência de não conseguir dar nome aos responsáveis…tudo foi abafado em nome da tradição através de uma nota num stories pedindo desculpas “mas não tínhamos como prever ou segurar as pessoas que participam dessa atividade”.
Junte a isso questões eternas com o transporte escolar, criança doente, mil e um pepinos burocráticos e imposto de renda!
Jeff, eu digo a ele enquanto escuto sua voz linda, tem sido muito difícil ser adulto…
Bom…continuarei a ser a pessoa chata e que exige direitos, a “mãe que reclama muito” como disse alguém na escola da minha criança (sem saber que eu tava ouvindo). Nada do que conquistei (aliás nada do que conquistamos nós mulheres) foi na base da boa vontade dos outros.
É tudo a base de pé na porta mesmo e muita determinação.
Fica o recado a quem me lê e é das minorias: não baixemos a guarda! Tem sido dias de estar atenta e forte.
Mais do que nunca!
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Sempre que posso levo ao supermercado alguma das minhas crianças para que aprendam um pouco sobre essa atividade simples da vida diária que é “comprar comida e etc”.
Pessoas autistas, em especial nível 1 ou 2, tendem a ter mais dificuldade em tarefas básicas do que em complexas. Aurora, uma das minhas gêmeas, é um lembrete que esteriótipos limitam muito ainda o entendimento sobre o autismo.
Ela tem apraxia (dificuldade na fala e pronúncia), não tem filtros sociais (fala tudo o que pensa), não tem equilíbrio e derruba tudo no chão, faz aquela clássica esteriotipia de passarinho voando com as mãos…MAS fala e muito e adora conversar com qualquer pessoa…
“Nem parece autista”
Odeio demais quando dizem isso porque não precisa parecer, ela simplesmente é.
No supermercado além de apontar uma foto e berrar um “mãe porque esse homem é tão gordo!” (a mãe respira fundo nessas horas), derrubou mingau, laranjas…mas soube pedir no balcão de pão exatamente o que queria comer e disse obrigada.
UFA, pensei, uma lição feita hoje. Chegamos ao caixa e do nada ela olha a moça e pergunta: Mas você gosta mais de comer pastel ou sonho?
A moça riu e respondeu toda bonita…ela porém já tinha virado as costas e ido olhar uma fogueira de mentira e já tava perguntando a outra pessoa como tinha sido feita aquela fogueira…é isso que chamamos de dificuldade de manter um diálogo ou “repertório restrito”. Ela até tenta se comunicar mas perde o interesse e não mantém a conversa.
Logo, não basta falar, não basta querer, preciso treinar ela (eu e o fono) em manter essa conversa com as pessoas.
Voltando a casa e pensando nisso lembrei das tarefas do Clube do Offline deste mês que trouxe a temática : conexões. Várias propostas de como conseguir se conectar com as pessoas e criar mais vínculos reais na atual sociedade do esvaziamento e da crise de solidão.
Deixo aqui o link para essa edição maravilhosa.
Uma das tarefas era fazer uma brincadeira de 38 perguntas a uma pessoa que você acabou de conhecer ou alguém que você conhece a muito tempo mas talvez precise aprofundar o laço.
Quando li essa tarefa pensei que exatamente naquela semana eu e Laura tínhamos dado um passo na direção de “vamos realmente ser amigas e se falar mais fora desse chat do substack?”
Laura é uma querida que lê tudo que escrevo aqui e que o universo me trouxe assim “de graça”. Nunca nos conhecemos pessoalmente mas toda vez que conversamos encontramos mais situações nas quais poderíamos ter nos conhecido.
Um exemplo é que ela se formou na mesma universidade que minha irmã.
Saímos do chat e trocamos zap e começamos a contar uma a outra coisas novas sobre nós e trocar fotos …tudo isso com um fuso horário de 11 horas no meio e muitos quilômetros de distância.
E é divertido e acolhedor e feliz a sensação de intimidade que estamos construindo. E é, sobretudo, esperançosa essa sensação. Ainda podemos ter vínculos profundos e sentir empatia e nos conectarmos com pessoas: não foi pra isso que inventaram a tal da internet?
Laura disse isso uma vez nas nossas conversas: “que gostoso essa sensação de fazer amizade pela internet como antigamente”, eu lembro também como amava os chats e salas do MSN e a alegria de conversar com pessoas novas e diferentes lá nos primórdios de tudo (lá no século passado!).
No offline eu também não deixei de cumprir minha tarefa, tenham calma…Dei um pulo na capital para encerrar um trabalho e fui almoçar com amigos, visitei uma nova exposição e mandei uma mensagem de “tô em Aracaju vamos nos ver?”
Ainda bem que do outro lado ela respondeu com “tô em casa” e assim eu tive algumas horas de colo, conversas mil, planos de viagem e café delicioso. Vicky nunca falha em me fazer feliz.
É preciso estar presente na vida de quem amamos, é preciso também lembrar aos outros que queremos sua presença nas nossas vidas.
Enfim, assim como Aurora, é preciso treino e um pouco de esforço para manter as conversas que queremos manter. Regar com atenção as relações.
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Absolutamente de forma aleatória eu lembrei de Romero Freitas, professor doutor de filosofia da UFOP (universidade federal de Ouro Preto), a mesma na qual me formei.
Durante uma época da graduação eu mantive uma amizade com ele e outros alunos da filosofia. Ele nunca foi meu professor mas me ensinou muitas coisas sobre a vida adulta que viria depois da formatura.
O melhor conselho que me deu foi: a gente não tem ideia de como dar conta dessa vida então, faça terapia o quanto antes ok?
Ainda bem que te ouvi Romerito... E ele ainda ria dizendo: depois dos 40 importante mesmo é ter um bom terapeuta pra indicar aos outros.
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Amigues a saga no mundo do audiovisual do sudeste asiático continua firme e forte e acho que não tem volta mas eu consegui terminar a quarta temporada de “A invejosa”, a série de las hermanas argentinas que tá na NETFLIX.
Eu amei a temporada, pero no mucho. Parece que contaram para a roteirista no meio das gravações que não ia ter mais temporadas e de repente muitas abas abertas foram fechadas de forma indevida…abruptamente.
Ainda assim gostei do desfecho e amei saber que Vicky não teve a vida resolvida só porque melhorou um pouco. Só porque fez terapia. Ilusão achar que é linear esse progresso ou que nunca mais vamos ter recaídas.
E sim o que eu mais amo nessa série é a relação dela com a terapeuta. Uma relação adulta muito bem construída.
Repito: façamos terapia e construamos boas relações, reais conexões.
Por hoje é só amigues,
Um beijo
Lila.








Amei ter sido parte deste texto 😍
Repito a mensagem do comentário Viva as amizades! As online, as offline, do jeito que dá, em mensagens dessincronizadas e em cafés inesperados. Obrigada pelos lembretes importantes de regar as relações e seguir reclamando o que é nosso 🌱
Amo tudo o que você escreve, Lila. Senti tudo com vc neste texto rs e viva às amizades 🩵